Defesa relata dificuldade de contato com brasileira presa por tráfico na Tailândia
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Em 27 fotos: Conheça Mary Hellen, brasileira presa na Tailandia por tráfico de cocaína
A defesa de uma jovem de 25 anos, natural de Pouso Alegre (MG), presa por tráfico internacional de drogas na Tailândia em 2022, afirma enfrentar dificuldades para obter informações atualizadas sobre a situação dela no país asiático. Segundo a advogada responsável pelo caso, o contato com Mary Hellen Coelho Silva tem sido praticamente inexistente desde o início deste ano.
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De acordo com a defesa, a comunicação era feita anteriormente por chamadas de vídeo com intermediação da embaixada brasileira. No entanto, esse suporte teria sido interrompido, o que, segundo a advogada, tem dificultado o repasse de informações essenciais tanto para a equipe jurídica quanto para a família.
"Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira", afirmou, em nota, a advogada Kaelly Cavoli.
A situação é considerada ainda mais delicada devido aos desafios comuns em casos internacionais, como barreiras de idioma, diferenças nos sistemas jurídicos e o fuso horário. Sem o apoio consular, a defesa afirma que o acompanhamento do processo se tornou limitado.
A defesa também aponta que a ausência de suporte consular “agrava substancialmente os desafios já inerentes ao caso”, como a barreira linguística e as diferenças culturais e jurídicas.
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O último contato com a jovem ocorreu em novembro do ano passado. Na ocasião, segundo a defesa, ela havia conseguido uma redução significativa da pena após apresentar bom comportamento no sistema prisional, incluindo benefícios relacionados a multas. Ainda restava a análise de um último pedido, protocolado em dezembro de 2025.
Segundo a advogada, a brasileira foi beneficiada com o chamado Perdão Real em relação à multa, além de outros perdões que contribuíram para a redução da pena. A previsão, na época, era de que o cumprimento total da pena ocorresse já no início deste semestre.
A expectativa da defesa é de que o cumprimento da pena seja concluído ainda em 2026, possivelmente no primeiro semestre. Diante da falta de informações recentes, a família e a equipe jurídica buscam alternativas para acompanhar o caso mais de perto.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Uma das medidas em estudo é a contratação de um advogado que atue diretamente na Tailândia, seja de forma particular ou voluntária. Para isso, familiares iniciaram uma mobilização para arrecadar recursos que viabilizem a contratação do profissional.
A defesa informou ainda que busca um advogado correspondente no país asiático para “superar o bloqueio informativo, garantir o acesso aos autos e viabilizar o acompanhamento da fase final do cumprimento da pena”.
Segundo a nota, a prioridade no momento é obter informações oficiais que garantam o retorno seguro da brasileira ao Brasil ao fim da pena, cuja previsão segue para este ano, possivelmente ainda neste semestre.
A advogada também afirmou que seguirá adotando todas as medidas jurídicas necessárias para “superar a inércia consular e garantir os direitos fundamentais da cidadã brasileira”.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
O g1 e a EPTV entraram em contato com o Ministério de Relações para ter mais detalhes sobre o caso, mas não obtiveram retorno até a última atualização desta reportagem.
Relembre o caso
Mary Hellen Coelho Silva foi detida em fevereiro de 2022 com outro brasileiro no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, com 9 kg de cocaína. A droga estava escondida em compartimentos ocultos em três malas transportadas pelo grupo. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros seis quilos da substância.
Na época, o Itamaraty informou que, por meio da embaixada de Bangkok, acompanhava a situação e prestava toda assistência aos brasileiros.
Desde o fim de 2021, a lei contra o tráfico de drogas mudou na Tailândia. Segundo a nova legislação, a pena máxima para o tráfico de cocaína no país é de 15 anos de prisão.
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O advogado Telêmaco Marrace informou que Mary Hellen se declarou culpada perante o juiz na Tailândia. Por isso, no dia 7 de maio, a jovem não foi julgada por um tribunal e foi apenas sentenciada.
Ainda de acordo com Telêmaco, a brasileira confessou que entrou com drogas no país e afirmou ter sido 'mula' do tráfico. Até então, os advogados afirmavam que a jovem não sabia da existência da droga dentro da mala.
No dia 8 de maio de 2022, a Justiça Tailandesa condenou a moradora de Pouso Alegre a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em 2 anos por crime civil e 7 anos e 6 meses por crime penal. A informação foi divulgada no dia 11 de maio.
Devido ao bom comportamento, Mary Hellen conseguiu o perdão real dos valores da multa da sentença pela condenação civil de 750 mil Baht, equivalente a cerca de R$ 105 mil, segundo o câmbio na data. Dessa forma, ela teve isenção total do pagamento da multa e redução de dois anos da pena.
Veja no vídeo abaixo (fevereiro de 2022) como ocorreu a prisão de Mary Hellen e mais dois brasileiros na Tailândia.
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